Passei pela cozinha às 9 da manhã. Tudo ainda estava lá: o pote de manteiga aberto, a faca suja, o pão que você cortou e nunca comeu, os copos que usamos, o guardanapo manchado do vinho que escorreu em tua boca, o vinho aberto, o cinzeiro com o cigarro que deixou pela metade e as migalhas de biscoito na toalha da mesa.
Lembrei do que acontecera na noite passada. A qual eu não me esqueceria tão cedo. Ainda mais pelo meu medo de retirar todo aquele cenário em que estivemos, por achar que assim tudo acabaria definitivamente.
Você balançava as pernas num ritmo acelerado, tinha lágrimas nos olhos e olhava pra mim como se fosse a única vez que o tivesse feito. Balbuciava desesperadamente algo que eu não entendia.
Sentei-me ao seu lado, mostrando que tinha tempo e muita disposição pra todo o seu drama.
Lentamente, você se acalmou. Disse num tom suficientemente audível por mim: “você não vai me perder como eu me perdi”.
Não entendi o que quis dizer. Só mais tarde eu saberia. Mesmo assim, te abracei tão forte quanto pude e beijei sua face molhada por suas lágrimas. Era a primeira vez que nos tocávamos. Minhas únicas palavras de consolo foram “tudo vai ficar bem”, sem ao menos saber do que se tratava.
Convidei-te para assistir um filme. Você disse que logo iria. Adormeci no sofá e, só agora, vi que você se foi.
Aliás, percebo que nada disso acontecera de verdade. Era apenas um ensaio cinematográfico de um filme que nunca existira ou existirá.
E, na noite passada éramos só eu e eu chorando sem consolo e ouvindo a sua música. Nunca estivemos mais perto do que isso.
Lembrei do que acontecera na noite passada. A qual eu não me esqueceria tão cedo. Ainda mais pelo meu medo de retirar todo aquele cenário em que estivemos, por achar que assim tudo acabaria definitivamente.
Você balançava as pernas num ritmo acelerado, tinha lágrimas nos olhos e olhava pra mim como se fosse a única vez que o tivesse feito. Balbuciava desesperadamente algo que eu não entendia.
Sentei-me ao seu lado, mostrando que tinha tempo e muita disposição pra todo o seu drama.
Lentamente, você se acalmou. Disse num tom suficientemente audível por mim: “você não vai me perder como eu me perdi”.
Não entendi o que quis dizer. Só mais tarde eu saberia. Mesmo assim, te abracei tão forte quanto pude e beijei sua face molhada por suas lágrimas. Era a primeira vez que nos tocávamos. Minhas únicas palavras de consolo foram “tudo vai ficar bem”, sem ao menos saber do que se tratava.
Convidei-te para assistir um filme. Você disse que logo iria. Adormeci no sofá e, só agora, vi que você se foi.
Aliás, percebo que nada disso acontecera de verdade. Era apenas um ensaio cinematográfico de um filme que nunca existira ou existirá.
E, na noite passada éramos só eu e eu chorando sem consolo e ouvindo a sua música. Nunca estivemos mais perto do que isso.
1 comentários:
Gostei do seus textos, você escreve bem.
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