sexta-feira, 26 de agosto de 2011

(Des)entendimento

Depois de minutos de silêncio que seguiram algumas risadas, decidiu terminar aquele grito, iniciando outra conversa.

- Ontem escrevi uma poesia. Acho que era tua. Há muito tempo não escrevia, não lia, nem entendia.
- Talvez não entendesse ou escrevesse por não ler.
- Não... não escrevia nem lia por não querer entender. Escrever é uma tentativa, ler é estar a um passo do entendimento. E entender... é perder-se ao encontrar-se.
- Fosse melhor assim.
- Como sempre foi, certo? Não existe melhor ou pior neste caso.

E levantou a manga esquerda de sua blusa, mostrando uma marca. Aparentemente uma tatuagem; algumas letras, alguns desenhos.

- Esse foi o auge, acho que o meu maior erro. Valeu a pena na hora, mas você me faz questionar.
- Poesia nunca foi meu forte. Você sabe que só escrevo em prosa.
- Suas prosas não caberiam num corpo, mas eu sempre dei um jeito, apesar de meus versinhos acabarem no meio do lixo.
- Eles nunca chegaram até mim.

E o silêncio voltou a reinar, como o ínicio de uma conversa tímida.

- Ontem escrevi uma poesia. Acho que era minha. A poesia era toda minha...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ismália

Na falta de inspiração, tempo e criatividade, eis um dos meus poemas preferidos que, ultimamente, tem retratado parte da situação em que me encontro há algum tempo.

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…


Alphonsus de Guimarães.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Lonely September

Ela estava estirada no chão. Havia gotas de sangue quase imperceptíveis ao seu redor. E, lá fora, chovia.
Ela parecia delirar. Seu corpo gelado e desfalecido tremia e um gemido podia ser escutado, provavelmente por ninguém.
As luzes de seu apartamento estavam todas acesas, exceto a do hall, de onde vinha o que parecia ser um pedido de ajuda.


Ele estava em um banheiro público, pensando em como se livrar da culpa.
Mal sabia que aquele seria seu último dia, sua última chance.
Decidiu por esquecer e continuar seu percurso de volta ao seu abrigo. Lar já não era apropriado. Aquele lugar não o confortava mais.
Amassou um guardanapo e saiu andando sob chuva, até o metrô. Era a última vez, por muito tempo, que passaria seu fim de semana ali.


Eu apenas observava o rumo que as coisas tomavam, sem mover-me. Meus olhos acompanhavam o desenrolar da história sem o mínimo de interesse. Num fim distante, talvez a responsabilidade caísse sobre mim. Mas ainda era cedo para envolver. Talvez porque não soubesse que tinha o poder de mudar o que estava acontecendo.

P.s.: Texto muito antigo e frustrantemente sem inspiração.
P.s.2: Não sei quando vou voltar a postar algo decente.

sábado, 9 de outubro de 2010

Empty

Aonde foi parar todo o sentimento com que convivia?
Eu deveria comemorar sua ida sem volta já que ele me custava dias numa cama. Mas hoje eu sinto falta.
Nunca pensei que o vazio me incomodaria tanto.
Nunca pensei que precisasse tanto dele para viver.
Talvez ele fosse um sinal de que eu estava viva. O significado da dor era maior que o da felicidade e sinto que a felicidade não preenche o espaço mórbido que a tristeza deixou.

Eu preciso da depressão se quiser viver disso.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Outono Cinza

22:22.
- Disseram-me que ele estaria pensando em mim. Agora entendo porquê não faz sentido.
- Não sei do que está falando.
- Vocês o fazem o tempo inteiro.

E ficou em silêncio, esperando uma resposta. Ainda não sabe se não a entendia ou se finalmente não encontrou desculpas e decidiu omitir sobre tudo. Não adiantava mais, ela já havia descoberto.

- Eu disse... vocês o fazem o tempo inteiro.

quarta-feira, 3 de março de 2010

1º de Março

Sob aquela chuva fina acompanhada com o frio de doer as articulações, decidi: é agora ou nunca!
Desci no estacionamento atordoada e andei em círculos para chegar ao saguão.
Mesmo sabendo que o que estava fazendo era como dar um tiro no escuro, decidi arriscar. Na pior das hipóteses, não me sentiria culpada por não ter tentado... ou pelo menos, era o que desejava que sentisse depois.
Eu já estava ali, só me restava esperar e ver no que dava.
A inquietação me comia a alma. E eu sentia a chama metafórica queimar as costas. As dúvidas só pioravam a situção. Era como se todos trabalhassem juntos só para apreciar minha agonia.
Tentava entender o motivo de tudo aquilo. Era tempestade em copo d'água que meu subconsciente fazia e que o meu consciente absorvia.
O pior de tudo ainda estava por vir. Imprevistos ocorrem e minha recepção estendeu-se por horas. Horas... e eu entendi o que é andar sem sair do lugar.

Por fim, minha falta de paciência e perseverança me impediram de vê-lo. Eu estava no lugar certo, na hora certa. Faltou só eu...
Eu apunhalei-me pelas costas. Não acreditei em mim e na minha intuição. Deixei passar a única chance de ter a felicidade que idealizei por anos a fio.
E agora, choro pelo que poderia ter sido.













When life thought I deserved something in an easy way,
I just turned and walked away.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Was a long and dark December...

Mais uma vez, encontra-se neste estado.
Está explodindo sentimentos, cuidando de novas feridas, fechando velhos caminhos.
Há saudade. Há tristeza.
O que houve com ela? Está jogada naquela cama sem colchas. Balbuciando um trecho de uma música, enquanto ele a observa.
Como pode não fazer algo?
Não faz porque, simplesmente, não sente.
Talvez não haja algo errado com ela. Ele encontra-se estagnado.

- Quantas vezes isso será repetido?
- Até ser compreendido.
- Por mim?
- Por mim.

Duraria a eternidade se a vida não fosse um paradoxo. Afinal, a energia de ambos dependia da teoria de que o destino da vida seria o destino do que ocorria. Assim, nada seria infinito. Sempre um paradoxo.

- Não era nossa vontade?
- Não.
- Por quê?
- Não durou.
- Durou um ano.
- Não foi o suficente. Enquanto há presente, há caminho.
- Esses caminhos devem ser preenchidos.
- E estão.
- Não como queríamos que fossem.
- Mas como eu quero que sejam.

A repetição o irritava. O irritava porque não compreendia e também não se esforçava para.
Ela não compreendia. Mas esperava encontrar uma resposta. Ou uma pergunta.

- Quantas vezes será repetido?
- Até que as palavras satisfaçam o vazio.












If you love me, won't you let me know?
If you love me, why'd you let me go?